SENTIDOS #4

Algumas histórias podem ser diferentes; outras, nem tanto. Ainda mais quando a amizade brinda a vinda com longos anos de proximidade e que carrega as pessoas para os mesmos espaços, para as mesmas possibilidades de desenvolvimentos. Do Instituto Santa Luzia ao palco de festivais nacionais e internacionais, a rota de Ana Luísa e de Bruna seguiu bastante próxima.

“Lucas era meu professor de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Santa Luzia na época e eu já havia escutado na escola sobre o seu grupo de teatro. A princípio não tinha me interessado, nem entendido direito, mas depois que ele apresentou o projeto em sala de aula, achei bem interessante, pensei que valia a pena dar uma chance à tentativa de imersão no projeto e, como estava com alguns dos meus colegas que também acharam a ideia interessante, tudo se tornaria mais divertido”, escreveu Ana, no texto Um encontro às escuras.

Ana Luísa (centro) e Bruna (à direita, ao fundo) em ação na peça Reino das Névoas.

Bruna Plentz, no texto Uma história na Ópera Rock, complementou: “Combinamos então de participar da primeira reunião do grupo, que só nos despertou mais interesse ainda. Preenchemos nossa ficha para a modalidade de dança e assim ingressamos no Ópera.”

A casualidade do tempo e do espaço trouxe outras meninas correlatas a elas, como a Jasmin, a Débora, a Daniela. Unidas em amizade e objetivos, estabeleceram um vínculo enorme com a então coreógrafa Teté Furtado, colaborando bastante para seus desenvolvimentos no grupo. “Tivemos o auxílio da coreógrafa Teté Furtado, que tinha um papel fundamental; suas coreografias tocavam as pessoas e transpassavam os sentimentos que o espetáculo queria transmitir”, relatou Bruna.

Apesar de o heavy metal não ser o gênero do gosto comum do grupo, a aproximação com tais sons refletiu sobremaneira no aprendizado sobre a construção do material, das personagens, da peça em si e até mesmo na reflexão sobre o próprio gosto. Conforme Ana, “Nunca gostei muito do estilo musical utilizado nas peças, mas com os ensaios fui pegando gosto, pois como eu ensaiava em casa fui obrigada a ouvir as músicas e com o tempo já tinha as minhas favoritas, como ‘I want my tears back’ e ‘Storytime’, do Nightwish, que utilizamos no O Reino das Névoas, além de ‘Arising Thunder’, da banda Angra, na peça A Tempestade. Ouvi repetidas vezes e até aprendi a letra. Como eram músicas marcantes e os ares do espetáculo eram sérios, gostava de fazer o “carão” quando entrava no palco. Sempre achei muito importante entender qual era meu papel quando estava atuando e quais os sentimentos que eu queria que transparecessem para o público.”

Bruna Plentz (à esquerda), no ensaio geral da peça “A tempestade”.

Infelizmente, o trabalho se alonga pelo tempo que deve ser. Há impossibilidades que gerenciam sua continuidade, da mesma forma que as marcas reverberam por novos tempos. “Sinto saudade da convivência com os participantes (que acabaram virando amigos), dos palcos, das danças, das falas, das reuniões. Antes de escrever este texto, comecei a olhar vídeos e fotos que eu tenho das apresentações e me veio à mente um sentimento muito bom de que eu aproveitei ao máximo esses dois anos e de que não mudaria nada. Levo essas lembranças para sempre comigo e espero que mais pessoas possam ter essa mesma experiência, para que no futuro relembrem momentos felizes como os que eu tive”, afirmou Bruna.

Ana Luísa também expôs o quão significativa foi sua passagem pelo grupo: “Ter participado do Alma Ópera Rock mudou a minha visão sobre o que é arte e cultura, conceitos que cada vez me surpreendem e me cativam mais. Ter sentido na pele o que é atuar, dançar, cantar, estar na frente de um palco, me caracterizar, decorar falas, entre outras atividades, despertaram sensações que até então eu não conhecia. Sinto saudades das reuniões, dos ensaios, das apresentações e dos amigos que fiz no grupo. Com certeza tudo isso contribuiu para o meu crescimento como pessoa, pois aceitei desafios e derrotei a timidez e o medo. Vi que com dedicação eu poderia fazer o que quisesse.”

Se você quiser saber mais sobre Ana Luísa Neurkirchen e Bruna Plentz, além das falas de outros integrantes do grupo, clique aqui.

Grupo de 2013, ao final da apresentação da peça “A tempestade”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *