SENTIDOS #5

Quando nos propusemos a criar a Alma Ópera Rock, a ideia era de aprofundarmos os sentidos pedagógicos e artísticos dos nossos integrantes. Creio que em diversos casos tenhamos realizado este objetivo com sucesso, mas talvez nenhum deles tenha sido maior do que com Henrique Garcia.

Um menino tímido, recluso, de poucos amigos. Se não era exatamente o perfil de um adorador dos palcos, era exatamente com quem gostaríamos de trabalhar ao longo de um ano. No texto Meus seis anos de Alma, ele declara: “Em 2014 decidi que iria sair da minha zona de conforto e me permitir viver novas experiências. Logo no primeiro dia tive que improvisar. Não lembro se foi uma boa improvisação, só sei que foi uma experiência muito legal e vi que realmente queria estar ali.”

Henrique Garcia (no primeiro plano, com Isadora Viegas) na apresentação de “As cores da escuridão”.

Uma peça densa e cheia de particularidades colocou Henrique no foco dos que a veriam em 2014. Houve a necessidade de um trabalho bastante profundo não só com ele, mas também com todos os integrantes: falar da esquizofrenia com adolescentes, fazê-los aprender a tratar sobre o tema e não estigmatizá-lo dentro da manifestação artística foi muito importante: “Intensidade! Se eu precisasse descrever tudo o que vivi naquele ano, essa seria a palavra. Os exercícios, as convivências, as experiências, tudo foi muito intenso e me despertou uma paixão enorme pelo Teatro. Dentro daquela sala eu sabia que não me julgariam, que acreditariam em mim, que se eu fosse cair alguém estaria lá para me ajudar.”

E essa paixão pelo teatro manteve Henrique conosco ao longo de seis anos. Das peças que foram a festivais às frustrações pela irrealização de outras, o ator conviveu conosco as mais diversas emoções, fosse na sua exposição de textos, nas suas falas perante o grupo, na sua atuação.

Henrique contracenando ao lado de Jorge Oliveira a peça “Sleepwalking: a noite em que adormecemos juntos”

Ao contar como se sentiu antes da apresentação de Noite Neon, em 2015, revelando problemas pessoais, Henrique não permitiu que isso superasse o trabalho que deveria ser feito naquela noite: “Não tenho certeza se foi nessa apresentação que a Maíra nos disse, mas em algum dia ela falou algo assim: ‘Aqui nessa plateia vai ter gente que está vindo pela primeira vez em um Teatro, assim como essa será a última vez que alguma dessas pessoas vai assistir uma peça. Nós temos a obrigação de fazer dessa peça a melhor peça que eles vão assistir.'”

Se o objetivo de um trabalho como este é favorecer o aprendizado individual e coletivo, as marcas são proporcionais ao seu aprofundamento. Henrique, ao final de seu texto, indica isso: “Comparando com a maneira com que me encontro hoje, posso afirmar com certeza de que tudo que eu queria foi realizado. Mudei completamente durante cada dia que que passei no projeto e fico muito feliz por ter mudado para melhor. Sinto falta de vários momentos, porém sei que não tenho como revivê-los, mas lembrarei com muito carinho de tudo que passei ao longo desses quase seis anos. De vez em quando, vou assistir aos DVDs, ler os recadinhos que o sor Lucas escrevia e nos dava junto com uma das fotos do espetáculo. Provavelmente vão escorrer algumas lágrimas de saudade e felicidade e vou lembrar de como fui feliz no projeto.”

Henrique Garcia encarnando o maldoso Mjolnir, em “A fortaleza”.

Você também pode aprender e vivenciar essas experiências. Inscreva-se, clicando aqui.

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