A nova geração que ensina: jovens professoras transformam o Alma Ópera Rock

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Entre o teatro e a dança, duas artistas de 21 anos revelam como a juventude, a coragem e a paixão moldam a experiência de ensinar no grupo.

No Alma Ópera Rock, um dos grupos estudantis mais ativos da cena de teatro musical de Porto Alegre, a renovação não acontece apenas nos palcos. Ela vem também das salas de aula, onde duas jovens artistas assumiram o desafio de ensinar aquilo que aprenderam — e amaram — dentro do próprio grupo. Aos 21 anos, Isadora Becker e Amanda Vasconcellos representam uma nova geração de professoras que, com sensibilidade e responsabilidade, transformam suas trajetórias pessoais em ferramentas de formação para adolescentes que começam a trilhar caminhos semelhantes aos seus.

Isadora Becker, atriz profissional e licencianda em Teatro pela UFRGS, vive uma relação de longa data com o Alma. Ingressou no grupo aos 16 anos, participou de três montagens anuais e, hoje, além de atuar no Teatro Zé Rodrigues e no PIBID, retorna ao espaço que a formou, agora como professora. “Tenho muito carinho pelo grupo. Com o aprendizado da faculdade, sinto que tenho um bom espaço para compartilhar com as mentes que compõem o Alma”, afirma. Para ela, o maior desafio é transformar conhecimento técnico em algo vivo, acessível e significativo para as alunas. “É tentar passar o que sei de uma forma que elas possam absorver e transformar a partir de suas vivências. No fim da aula, sempre é muito bom olhar para esse desafio e perceber o quão longe estamos chegando.”

Amanda e Isadora atuaram juntas em três peças da Alma Ópera Rock, antes de se tornarem professoras.

Já Amanda Vasconcellos, estudante de Odontologia e dançarina há doze anos, encontrou na docência uma nova forma de se relacionar com a arte que a acompanha desde a infância. Ex-integrante do Alma entre 2022 e 2024, ela decidiu assumir a função de professora de dança como um desafio pessoal. “Achei que ser professora seria um bom desafio para me propor, e está sendo uma experiência memorável”, conta. No início, a comunicação com as alunas e a criação de coreografias completas foram obstáculos reais. “Eu já havia criado passos antes, mas quatro coreografias inteiras desde a base foi bem desafiador.” Com o tempo, porém, a troca com as alunas se tornou o maior prazer da função. “Conviver e trocar experiências com as minhas meninas é algo incrível e que sempre me faz ter vontade de ir dar aula.”

Apesar da pouca diferença de idade entre professoras e alunas, ambas reconhecem que ocupar um lugar de referência exige maturidade. Para Isadora, o respeito é construído na relação. “Ensinar com pouco tempo de experiência na educação dá medo, mas com respeito e educação conseguimos o mesmo daqueles que estão dispostos a nos ouvir.” Amanda concorda e amplia: “Ser referência é uma grande responsabilidade. Professores expandem conhecimento não só com técnica, mas com experiências que os alunos levam para a vida.”

O que une as duas professoras é a certeza de que ensinar também é aprender. Isadora vê no grupo um espaço de crescimento mútuo; Amanda reconhece que suas alunas têm tanto a aprender com ela quanto ela com elas. No palco, na sala de ensaio ou na conversa sincera depois da aula, ambas constroem diariamente uma pedagogia afetiva, jovem e comprometida — que transforma o Alma Ópera Rock em um lugar onde a arte se aprende, se compartilha e se reinventa.

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