SENTIDOS #7

Ela chegou devagar ao grupo, apenas com uma atividade muito específica. Ao longo do tempo e dos anos, agigantou-se sua participação – não só na Alma Ópera Rock, mas na vida do diretor. De preparadora vocal a melhor amiga para todas as horas, Maíra Prates derreteu-se pelo grupo e por todos que o compunham – recebendo, inclusive, a alcunha de “Mãíra”.

Maíra Prates (de frente) junto ao elenco na preparação para entrada em cena de “As cores da escuridão”.

No livro Alma Ópera Rock: os primeiros cinco anos, em There and back again, ela conta: “Em 2012, quando um colega me disse que estavam precisando de professora de canto em um projeto na zona sul, pensei que seria uma experiência bem interessante. Eu não fazia ideia do quanto. Foram iniciais três meses de oficina de canto, mais tarde uma criação de luz para o Festival Internacional de Teatro Estudantil, no mesmo ano. Eram adolescentes interessados em ler, dançar, cantar, atuar – e o grupo proporcionava tudo isto. Sonho de consumo da minha infância.”

E era isso mesmo. Desde pequena envolvida com o canto, Maíra desenvolveu-se como atriz com seus estudos na UFRGS após diversas experiências no palco. Quando entrou no nosso grupo e a colocamos para trabalhar com a preparação de elenco da peça A tempestade, a então cantora de coral e backing vocal de banda de bar mostrou-se com diversas outras características ainda mais relevantes para nosso trabalho. Coreografou, auxiliou a direção, pôs a mão na massa para desenvolver o trabalho selecionado para o ano com muito afinco.

A experiência de 2013 foi um marco importante na sua constituição como professora, diretora e amiga daquela gurizada que buscava ainda o seu próprio encontro: “Um dos momentos mais marcantes para mim nesse sentido, foi quando realizamos a reunião para organizar a ida para o Festival de Teatro de Dom Pedrito. Alguns pais eram reticentes em lançar seus filhos queridos numa viagem tão longa e com pernoite. Por mais que nós, professores, nos esforçássemos para assegurar que nada sairia errado, não havia argumento que os convencesse do contrário. Foi quando uma das meninas pediu a palavra e se posicionou como alguém que via uma oportunidade de crescimento para todos, com argumentos muito sólidos em relação à responsabilidade que era viajar em grupo e como eles garantiam que cuidariam uns dos outros. Outros se juntaram a ela no discurso e na atitude. Foi bonito de ver.”

Maíra (à esquerda) e seu discurso final antes de o grupo entrar em cena na sua última participação, em “A fortaleza”.

O peso das consequências daquele ano rendeu espaço para o aprofundamento das relações. Maíra e eu vivíamos imersos em discussões, fosse sobre educação ou sobre arte, em ideias para trabalhos que avançavam madrugadas e conversas extrovertidas, até a passeios pela cidade, pela serra ou pelo litoral para aspirarmos outros ares. Nessas idas e vindas descobríamos um pouco mais sobre o outro e entendíamos o que de fato fazíamos pelo grupo e pela sequência do trabalho.

Maíra despediu-se de nós no início de 2017, quando literalmente alçou voos maiores: mudou para Campinas (SP), em busca do aprofundamento do sonho de trabalhar ainda mais com a arte que tanto ama. A turma daquele ano, junto a então coreógrafa Jade Corrêa, prepararam uma despedida e tanto para a nossa amiga.

São histórias como essa que demonstram o quanto a Alma Ópera Rock pode ser transformadora. De pessoas desconhecidas a grandes amigos, de conhecimentos superficiais a aprofundados, de vivências em acantonamentos, em praias ou – pasmem – em teatros. Isso tudo você também pode vivenciar, caso optes por seguir nosso grupo e te inscreveres conosco.

Elenco de “Sleepwalking: a noite em que adormecemos juntos” com sua diretora cênica (à direita, ao chão).

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